Mundo gastou 5,2 mil biliões em subsídios fósseis

Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra como a dependência mundial de combustíveis fósseis também se faz de subsídios públicos.

Em 2015, o mundo gastou 4,7 mil biliões de dólares em subsídios neste tipo de combustíveis (o equivalente a 6,3% do PIB mundial) e em 2017 esse valor aumentou para 5,2 mil biliões de dólares (6,5% do PIB mundial).

Os maiores patrocinadores dos combustíveis fósseis em 2015 eram a China (1,4 mil biliões de dólares), EUA (649 mil milhões de dólares), Rússia (551 mil milhões de dólares), União Europeia (289 mil milhões de dólares) e Índia (209 mil milhões de dólares).

Andamos a financiar poluição

O relatório do FMI indica que o petróleo e o carvão correspondem a 85% dos subsídios mundiais. Estas fontes energéticas altamente poluentes seriam muito mais caras se não fossem os subsídios.

No relatório, o FMI indica também que se o preço dos combustíveis fósseis fosse mais eficiente e refletisse os seus reais custos, teríamos menos 28% de emissões de CO2 a nível global e menos 46% de mortes devido à poluição atmosférica. Ao mesmo tempo, o PIB mundial teria crescido 3,8%.

Subsídios para EVs?

Estes números colocam em perspectiva os subsídios oferecidos pelos vários governos mundiais para aquisição de veículos elétricos (VEs). Estes subsídios são muitas vezes utilizados pelos detratores da mobilidade elétrica como uma razão para acabar com os VEs. Todavia, o relatório do FMI é claro e mostra como o grande sorvedouro dos dinheiros públicos são a indústria do petróleo e do carvão, e não a mobilidade elétrica.

Combustíveis como a gasolina e o gasóleo chegam a ser 20% mais baratos do que o seu real valor sem subsídios. Tendo em conta que o mundo continua a aumentar as suas emissões de CO2 numa altura em que se sucedem as notícias alarmantes sobre o clima, está na altura de transferir o dinheiro de fontes energéticas altamente poluentes para fontes limpas.

Márcio Florindo

Foi jornalista de tecnologia durante 15 anos e mais recentemente dedicou-se aos temas da mobilidade elétrica e energias renováveis. É apaixonado por ciência desde que se lembra.

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