Motores elétricos de plástico: mais eficientes, mais leves e podem vir a aumentar autonomia dos carros elétricos

Investigadores do Instituto Fraunhofer para Tecnologia Química ICT estão a trabalhar em conjunto com o Instituto Karlsruhe de Tecnologia KIT para criar uma nova forma de arrefecer o calor produzido pelos motores elétricos, de modo a aumentar a sua eficiência. Esta nova forma de arrefecer os motores permitiu, ainda, que os investigadores usassem plástico na construção do motor elétrico em vez do tradicional alumínio, o que significa motores mais leves. Mas não é tudo: esta descoberta permite também aumentar a densidade energética e criar motores mais potentes que até os melhores modelos do momento.

Fios redondos por fios achatados

Um motor elétrico é composto de duas partes: um rotor e um estator. O estator é a parte fixa com uma bobina de fios de cobre, por onde passa a corrente elétrica que gera o campo magnético que, depois, faz girar o rotor – e mover o carro.

Os motores elétricos têm uma eficiência de mais de 90%, o que quer dizer que são capazes de converter mais de 90% da energia que recebem em energia mecânica para fazer o carro andar. É uma eficiência muito, muito superior à dos motores de combustão interna (um motor a gasolina converte apenas cerca de 20% da energia que recebe em energia mecânica), mas que pode ser melhorado. 

Os 10% da energia elétrica que sobra são perdidos em forma de calor. Os investigadores do Instituto Fraunhofer substituíram os fios de cobre redondos do estator por fios achatados, o que lhes permitiu criar um sistema de arrefecimento dentro do próprio estator. Deste modo, deixa de ser necessário transportar o calor para fora do motor, para um sistema de arrefecimento à parte. Robert Maertens, investigador no Instituto Fraunhofer, diz que esta abordagem tem ainda outras vantagens, como uma maior potência contínua do motor.

Circuito de arrefecimento do estator

Como o calor é dissipado logo onde é gerado, a equipa conseguiu, também, construir um motor a partir de plástico, cuja grande vantagem é o menor peso. Este menor peso permite poupar na energia gasta para mover o carro, mas também no custo de construção do próprio motor. 

A equipa espera, em breve, ter um protótipo completo e funcionar para testar.

Márcio Florindo

Foi jornalista de tecnologia durante 15 anos e mais recentemente dedicou-se aos temas da mobilidade elétrica e energias renováveis. É apaixonado por ciência desde que se lembra.

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